O investimento em seguro cibernético vem crescendo no Brasil, acompanhando um movimento mais amplo de amadurecimento da segurança digital.
À medida que a transformação digital se torna parte central dos negócios, a discussão sobre riscos cibernéticos ganha mais espaço e passa a integrar a agenda estratégica das empresas.
Organizações que armazenam informações de clientes ou dependem de tecnologia em suas operações, independentemente do porte ou do setor, estão expostas a vulnerabilidades e riscos cibernéticos.
Segundo a Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025, da Aon, ataques cibernéticos e vazamento de dados estão entre os principais riscos atuais na América Latina , sendo apontados como o risco número um até 2028.
Nesse contexto, o mercado segurador tem sido considerado uma camada adicional de proteção.
Mais do que uma solução isolada, o seguro cibernético se insere em uma discussão mais ampla sobre maturidade em segurança digital.
Entender como ele funciona, quais riscos pode cobrir e como se integra às práticas de segurança existentes é fundamental para avaliar seu papel na estratégia de segurança. Continue a leitura!
Perspectivas do mercado de seguro cibernético no Brasil
Atualmente, o mercado brasileiro de seguros cibernéticos mostra perspectivas promissoras, impulsionado pela crescente digitalização e pelas pressões regulatórias.
À medida que as empresas avançam na transformação digital, a demanda por soluções de seguro mais abrangentes tende a crescer.
O aumento dos investimentos em cibersegurança deve estimular o desenvolvimento de produtos inovadores, pensados para atender às necessidades de cada setor.
Essas soluções ampliam as opções de cobertura e ajudam a fortalecer a resiliência das empresas diante das ameaças digitais. O mercado de serviços digitais do Brasil está projetado para atingir R$ 350 bilhões.
Isso cria uma oportunidade significativa para seguradoras desenvolverem produtos especializados voltados para plataformas digitais emergentes. Ao mesmo tempo, o avanço da digitalização aumenta a exposição a riscos cibernéticos.
Como consequência, as empresas passam a priorizar o seguro cibernético para proteger seus ativos digitais.
Essa tendência impulsiona a demanda por apólices personalizadas, capazes de abordar vulnerabilidades específicas em um ambiente digital em constante evolução. Apesar desse crescimento, o mercado enfrenta desafios importantes.
Muitas PMEs, que representam cerca de 99% das empresas brasileiras, ainda não têm consciência da importância do seguro cibernético, permanecendo vulneráveis a ataques e limitando o potencial de expansão do setor.
Além disso, o aumento dos custos de prêmios — que cresceram aproximadamente 25% no último ano devido à maior frequência de sinistros e à complexidade das ameaças — representa um obstáculo adicional para a adoção do seguro cibernético.
Como funciona o seguro cibernético?
Conforme cresce o risco de ataques contra aplicativos, dispositivos, redes e usuários, o seguro cibernético se torna cada vez mais essencial.
Isso porque a violação, a perda ou o roubo de dados podem impactar significativamente um negócio, desde a perda de clientes até a perda de reputação e receita.
Conforme o relatório Microsoft Digital Defense Report 2025, o Brasil é o terceiro país das Américas mais atingido por ataques cibernéticos, o que reforça a necessidade de estratégias mais estruturadas de proteção e resposta a incidentes.
Nesse contexto, o seguro cibernético atua como um mecanismo de mitigação de riscos, cobrindo custos associados a incidentes, como pagamento de resgates, remediação de malware, resposta a incidentes e outros gastos operacionais.
Com isso, as apólices podem ajudar as empresas a reduzir danos, acelerar a recuperação e fortalecer sua resiliência cibernética.
No mercado brasileiro, os seguros cibernéticos costumam ser oferecidos em dois formatos principais:
- Seguros cibernéticos independentes: indicados para organizações com riscos mais complexos, oferecem coberturas personalizadas que podem incluir ransomware, interrupção de negócios, resposta a incidentes e penalidades regulatórias.
- Seguros cibernéticos integrados ou em pacote: geralmente associados a apólices empresariais mais amplas, apresentam melhor custo-benefício e integração com outros seguros corporativos.
Portanto, a combinação entre o aumento das ameaças cibernéticas, o avanço das exigências regulatórias e a maior maturidade das empresas tem impulsionado a demanda por ambos os modelos.
Em resposta, as seguradoras vêm ampliando a oferta de produtos mais flexíveis e adaptáveis, alinhados aos diferentes perfis de risco e níveis de maturidade em segurança digital.
Que riscos cibernéticos o seguro cobre?
No mercado brasileiro, os seguros cibernéticos reúnem diferentes tipos de cobertura, que podem variar conforme o perfil de risco da empresa e o modelo de apólice contratado.
De forma geral, essas coberturas se distribuem entre riscos de primeira parte e responsabilidades perante terceiros.
Nesse escopo, é comum encontrar coberturas relacionadas à violação de dados e privacidade, à segurança de rede e à responsabilidade civil decorrente de incidentes cibernéticos.
Dependendo da estrutura da apólice, também podem estar incluídas coberturas para interrupção de negócios, extorsão cibernética (ransomware) e responsabilidade por mídia.
Quando o foco recai sobre perdas específicas associadas a incidentes, muitas apólices contemplam custos e despesas como:
- Interrupção de negócios, incluindo perdas financeiras decorrentes da indisponibilidade de sistemas
- Resposta a incidentes e remediação de ameaças, como contenção, investigação e eliminação de malware
- Despesas legais, relacionadas a processos, notificações e defesa jurídica
- Recuperação e violação de dados, abrangendo restauração de informações e comunicação a titulares
- Ações regulatórias, incluindo multas e custos administrativos, quando aplicável
- Gestão de reputação, com apoio em comunicação e relações públicas após o incidente
- Pagamentos de resgates, nos casos previstos em contrato e conforme a legislação aplicável
Por que contratar o seguro cibernético?
O impacto de um crime cibernético vai muito além do ambiente tecnológico.
Ele pode afetar a cultura corporativa, os processos internos, o armazenamento de dados e as políticas de gestão da empresa. Nem todos os incidentes cibernéticos são resultado direto da ação de hackers.
Muitos surgem devido a erros na implementação de projetos, falta de treinamento, vulnerabilidades de sistemas ou negligência na proteção de dados e prevenção de incidentes.
A demanda por seguro cibernético cresce especialmente em setores como instituições financeiras, saúde, indústrias e prestadores de serviços de tecnologia, onde os riscos digitais podem gerar impactos financeiros e reputacionais significativos.
Apesar desse crescimento, o seguro cibernético ainda é pouco adotado no Brasil.
Muitas empresas não avaliam seu grau de exposição aos riscos nem compreendem plenamente as perdas que poderiam enfrentar, mesmo quando possuem uma apólice contratada.
Que ações sua empresa precisa tomar para contratar o seguro?
Embora o custo do seguro cibernético tenha se tornado um pouco mais acessível, as seguradoras estão mais exigentes na análise de risco.
Relatórios recentes indicam uma redução no número de incidentes, mas, quando ocorrem ataques como ransomware, os prejuízos tendem a ser maiores.
Por isso, contratar um seguro cibernético hoje vai além de ter políticas formais: é necessário demonstrar evidências operacionais de que a empresa faz o básico bem-feito.
Isso inclui, por exemplo:
- MFA resistente a phishing (passkeys/FIDO2)
- EDR/XDR instalados e gerenciados nos endpoints
- Backups imutáveis testados regularmente
- PAM (controle de acessos privilegiados)
- Proteção de e-mail com DMARC e mecanismos anti-impersonation
Para obter melhores limites de cobertura e prêmios competitivos, não basta ter políticas documentadas.
É preciso manter rotinas operacionais auditáveis, como relatórios, prints, testes e atas de exercícios de segurança.
Muitas empresas contam com especialistas para organizar essas evidências e acelerar correções, garantindo que a renovação da apólice seja mais eficiente e alinhada ao perfil real de risco.
Nesse contexto, o seguro cibernético vai além de uma simples proteção financeira, funcionando como um mecanismo que incentiva a maturidade em segurança digital.
Além de, ajudar as empresas a implementar boas práticas e reforçar suas defesas de forma concreta.
Assim, ele funciona em sinergia com soluções como EDR/XDR e MFA robusta, fortalecendo a resiliência geral da organização frente a ameaças digitais.








