AI Data Debt: quando a fragmentação limita a inovação

AI Data Debt
Embora muitos reconheçam o potencial da modernização do ambiente de dados como algo positivo, a crescente fragmentação reduz a capacidade da IA de explorá-los de maneira eficiente.  

Muitas empresas acreditam que basta contratar uma solução de IA para começar a gerar resultados imediatos, mas o que descobrem depois do investimento é que projetos de IA não funcionam bem quando dados estão desorganizados, espalhados em sistemas legados ou presos em silos. 

Em vez de gerar insights, os modelos acabam operando com base em informações incompletas, inconsistentes ou desatualizadas, comprometendo a qualidade das informações geradas. 

Empresas que adotam inteligência artificial sem antes modernizar sistemas, dados e processos podem obter resultados limitados. Na verdade, a realidade tem sido frustrante: projetos de IA demoram mais do que o esperado, entregam resultados abaixo do ideal ou, pior, falham. 

Contudo, frequentemente, parte desses desafios pode ter uma origem menos evidente: a dívida acumulada no próprio ambiente de dados, o que podemos chamar de AI Data Debt. 

Práticas inadequadas de gestão de informações, gradualmente, tornam os ativos de dados ineficientes, pouco confiáveis e caros de manter. 

Portanto, a recomendação é tratar a inteligência artificial como parte da transformação do modelo operacional. Isso inclui limpar dados, substituir sistemas obsoletos e redesenhar processos antes de distribuir novas ferramentas pela organização.

A IA não cria a dívida de dados, mas torna o custo evidente 

Dívidas não são brincadeira, especialmente quando envolvem os dados que uma empresa precisa para tomar decisões e desenvolver ferramentas de IA. 

Imagine uma empresa com 15 anos de documentos, múltiplos repositórios, SharePoint, data lakes, bancos de dados, SaaS, backups, documentos compartilhados, sistemas legados, bases de clientes e dados financeiros.  

Ao longo dos anos, esse ambiente acumulou dados mal classificados, permissões excessivas e informações que permanecem isoladas entre diferentes sistemas. Agora, imagine que um agente de IA recebe acesso para pesquisar toda essa organização.

Quando as organizações não têm visibilidade nem as ferramentas de gerenciamento necessárias para organizar seus dados, essa dívida pode se tornar um problema sério. 

Discussões recentes entre líderes e especialistas em dados, privacidade e tecnologia, destacam que a maioria das organizações “normalmente” usa apenas cerca de 30% de seus dados, e os 70% restantes geralmente não são estruturados. 

Sem uma base de dados unificada, a inteligência artificial torna-se pouco mais do que uma funcionalidade. No projeto piloto, os dados costumam estar disponíveis e relativamente organizados.  

Na operação real, os dados estão espalhados por dezenas de sistemas, apresentam diferentes níveis de completude e qualidade e nem sempre podem ser relacionados entre si.  

Para a IA, isso significa menos contexto, maior complexidade de integração e mais dificuldade para acessar informações atualizadas. 

Nesse cenário, o rótulo de “IA” pode até estar presente enquanto a infraestrutura necessária para transformar essa tecnologia em resultado não existe. Basicamente, ter IA como funcionalidade não significa necessariamente ter capacidade operacional capaz de gerar valor. 

Mas a questão não se resume a centralizar os dados. A IA pode operar em ambientes distribuídos, mas precisa de acesso ao contexto relevante para gerar resultados confiáveis.  

Quando a fragmentação impede que a organização recupere, relacione e governe esse contexto, a tecnologia encontra um limite.

Portanto, quando a empresa tenta utilizar IA para gerar valor sobre esses dados, essa dívida deixa de ser apenas um problema de arquitetura, passa a afetar:

  • segurança;
  • contexto;
  • confiabilidade;
  • capacidade de escala. 

AI Data Debt e os impactos na inovação 

A corrida pela IA gera diferentes tipos de compromissos. Alguns são financeiros e visíveis. Outros são tecnológicos, operacionais e de dados, e podem permanecer invisíveis até começarem a limitar a capacidade de escalar a própria inovação 

Quando os dados, que fornecem contexto para qualquer projeto de IA, estão comprometidos, o que parecia ser uma grande oportunidade se transforma em frustração e o investimento em desperdício.   

Segundo o Gartner, equipes de engenharia dedicam 25% do tempo e do orçamento à gestão da dívida tecnológica, que inclui a dívida de dados. Entretanto, essa dívida não representa necessariamente um problema quando as organizações a acumulam. O problema é que amanhã esse atalho pode tornar a próxima mudança mais cara.  

Durante anos, uma empresa pode tratar cada decisão isoladamente como algo que pode resolver depois: “depois organizamos os dados”, “essa base ainda serve”, “vamos criar uma integração rápida”. O custo aparece quando a tecnologia passa a exigir contexto, integração, escala e acesso simultâneo a múltiplos ambientes.

Então aquilo que antes era apenas complexidade operacional se torna uma limitação para inovação. Quanto mais acesso damos à IA para gerar valor a partir dos dados, maior precisa ser nossa capacidade de entender, governar e proteger esses dados. 

Outro relatório Gartner, aponta que até 90% dos projetos piloto de agentes de IA são interrompidos antes da produção. O problema não é o modelo em si, mas a fragmentação dos dados que o sustentam. 

Esses são sintomas de um problema mais profundo que a maioria das organizações não conseguiu diagnosticar corretamente. Os agentes estão sendo implementados em ambientes de dados que nunca foram projetados para suportá-los.   

Cada vez mais líderes estão começando a entender que não conseguem escalar a inovação enquanto operam com dados desatualizados e sistemas frágeis. 

As empresas que tratam a modernização de dados como um pré-requisito para a infraestrutura, em vez de um fluxo de trabalho paralelo à adoção de IA, são as que estarão entre as que terão projetos piloto escaláveis.

Como superar a fragmentação de dados com uma plataforma moderna? 

A dívida de dados cresce quando cada nova necessidade de negócio exige uma nova camada de integração.  

Uma arquitetura unificada busca inverter essa lógica: em vez de adicionar mais silos para cada novo caso de uso, cria-se uma base capaz de acompanhar aplicações, dados e IA em conjunto. 

Quando a organização reduz a fragmentação da base de dados, tecnologia e negócio passam a trabalhar sobre o mesmo contexto. Embora 99% dos líderes de TI reconheçam a necessidade de integração, 71% ainda não contam com uma plataforma unificada capaz de viabilizar esse objetivo. 

A má gestão de dados pode gerar uma série de problemas, incluindo acesso não autorizado e vazamento de informações quando organizações utilizam esses dados de forma indevida para treinar modelos de linguagem.

Por isso, sua organização deve se concentrar em resolver parte da dívida, seja ela de dados, tecnológica ou de segurança, que acumulou ao longo dos anos. 

É nesse contexto que plataformas modernas, como o MongoDB, permitem integrar dados, aplicações e recursos de IA em uma mesma arquitetura, reduzindo a distância entre a necessidade do negócio e sua implementação tecnológica. 

O objetivo, portanto, não é eliminar toda a dívida de dados antes de adotar IA. É identificar quais partes dessa dívida já representam um obstáculo para segurança, confiabilidade e escala. Em seguida, modernizá-las de acordo com os casos de uso que a organização pretende desenvolver.

Porque inovação não depende apenas da capacidade de experimentar novas tecnologias, mas da capacidade de sustentá-las quando deixam de ser experimentos e passam a fazer parte da operação.

Outros artigos que também podem te interessar

top

Inactive

Insights
Valuable insights that empower your decision-making,
Case Studies
Inspiring examples of financial tailored solutions.
Stay ahead in a rapidly changing world

Our monthly insights for strategic business perspectives.

Inactive

Pesquisar