Considerando as previsões de cibersegurança para 2026, uma premissa se impõe: as empresas que tratam a segurança como prioridade não estarão apenas “protegidas”, mas mais competitivas.
No cerne dessa discussão, as mudanças vêm acontecendo de forma acelerada. O perímetro tradicional desapareceu, as credenciais já não são suficientes e a segurança não pode mais depender de controles estáticos em um ambiente de ameaças dinâmico.
Em resposta à inovação constante dos atacantes, a cibersegurança tem evoluído, mas o ritmo dessas transformações nos últimos anos tem sido sem precedentes.
Durante grande parte de sua história, a adoção de tecnologias para automação corporativa foi um processo lento e gradual. Entretanto, com o surgimento da inteligência artificial, essa marcha constante está prestes a dar um salto transformador.
Descubra o que acontece quando atacantes, regulamentações e inteligência artificial entram em ação simultaneamente. Continue a leitura e conheça as previsões de cibersegurança para 2026, bem como seus impactos e desafios para as empresas.
Impactos da IA no futuro da cibersegurança
Sob essa perspectiva, diversas mudanças estruturais tornam-se impossíveis de ignorar. Com o avanço da IA, ataques como phishing, deepfakes e clonagem de voz são potencializados.
As premissas tradicionais de segurança estão ruindo: os agentes de ameaças se expandem mais rapidamente do que os defensores, e a identidade — não mais a infraestrutura — se tornou o principal campo de batalha.
Além disso, estamos em um ponto de inflexão em que a economia global transita em torno da IA. Não se trata apenas da adoção de novas ferramentas, mas da construção de uma nova realidade econômica.
Agentes autônomos de IA definirão essa nova era. Hoje, eles superam os humanos na proporção de 82 para 1, o modelo de identidade centrado no ser humano está se desfazendo na velocidade das máquinas.
Não por acaso, os agentes de IA são a classe de identidade de máquina que mais cresce e, ao mesmo tempo, é a menos regulamentada — e eles não apenas autenticam, como também agem.
Segundo a pesquisa da CyberArk, de 2025, o que equipes de segurança e desenvolvedores de IA já suspeitavam há tempos se confirma: as identidades de máquinas agora superam em muito as identidades humanas.
A Gartner prevê que, até 2028, 25% das violações de segurança corporativas serão atribuídas ao uso indevido de agentes de IA.
Ao mesmo tempo, um relógio existencial silencioso está correndo: a linha do tempo quântica está acelerando, ameaçando tornar nossos dados hoje considerados seguros, vulneráveis de forma retroativa.
Esta nova economia exige uma nova estratégia. Segurança reativa já não é suficiente no cenário atual. Nesse contexto, a segurança precisa evoluir de uma defesa de retaguarda para uma força ofensiva proativa, capaz de sustentar a resiliência cibernética.
Diante da era da IA proteger apenas a rede da empresa já não basta. O verdadeiro desafio é garantir que dados e identidades sejam, de fato, confiáveis.
Identidades digitais no foco do cibercrime
O próprio conceito de identidade, um dos pilares da confiança nas empresas, está prestes a se tornar o principal campo de batalha em 2026.
Isso ocorre porque o volume e a diversidade de identidades — humanas, máquinas, APIs e agentes de IA — crescem no mesmo ritmo da expansão das aplicações distribuídas.
A partir de 2026, a proteção deixa de depender de “onde” e passa a girar em torno de “quem ou o que está tentando acessar”. Será amplamente aceito que as violações de segurança não dizem mais respeito a “entrar” por meio de firewalls, mas sim a fazer login.
Os cibercriminosos aprenderam que explorar a confiança humana, os fluxos de trabalho de integração, os serviços de suporte e os processos de recuperação de identidade é muito mais eficaz do que explorar vulnerabilidades de softwares.
Cenário de riscos e ameaças de cibersegurança
A cibersegurança está entrando em águas desconhecidas. O ambiente de ameaças em rápida transformação está colocando as estratégias cibernéticas à prova.
Nesse contexto, as organizações estão enfrentando a nova realidade de uma era pós globalização, marcada por alianças fragmentadas, instituições globais enfraquecidas, choques tarifários e cadeias de suprimentos interrompidas.
Nesse cenário, os avanços tecnológicos ampliam a superfície de ataque e introduzem novas classes de ameaças cibernéticas.
Segundo a pesquisa Global Digital Trust Insights 2026, da PwC, realizada com 3.887 executivos de negócios e tecnologia em 72 países, o estudo revela como os líderes estão lidando com esta era de incertezas, onde estão falhando e o que poderiam fazer de diferente para enfrentar melhor o desafio.
Entre as principais conclusões, destaca-se o risco geopolítico que está moldando a estratégia de tecnologia, onde 60% dos líderes empresariais classificam o investimento em cibersegurança entre suas três prioridades estratégicas.
Além disso, a resiliência é um trabalho em construção, com apenas 6% das organizações declarando confiança plena em relação a todas as vulnerabilidades avaliadas.
Apenas 24% das organizações investem em medidas proativas do que em medidas reativas, enquanto 67% destinam quantias aproximadamente iguais em ambas as abordagens — um equilíbrio que tende a ser mais caro e arriscado.
Embora a computação quântica figure entre as cincos principais ameaças, menos de 10% das organizações priorizam, em seus orçamentos, investimentos em segurança quântica.
Para enfrentar o momento atual, será necessário um senso renovado de urgência, criatividade e a adoção de abordagens diferentes.
7 previsões de cibersegurança para 2026
1. Computação quântica: ameaça à criptografia de dados
Sobretudo, a exfiltração silenciosa de dados já não é uma hipótese futura, ela já está incorporada ao cálculo de riscos atual. A partir daí, a segurança quântica deixa de ser apenas teoria e sai do papel.
Especialistas alertam que adversários já coletam dados criptografados hoje com o objetivo de quebrá-los quando a computação quântica atingir maturidade. Isso torna a transição para algoritmos resistentes ao ambiente quântico uma urgência, não um luxo.
Embora a computação quântica não represente uma ameaça cibernética imediata, adiar a transição para a criptografia pós quântica contribui para exposição de dados sensíveis, serviços de autenticação e sistemas criptográficos.
Até 2026, essa realidade desencadeará a maior e mais complexa migração criptográfica da história, à medida que as exigências governamentais pressionarem a infraestrutura crítica e suas cadeias de suprimentos a iniciar a jornada rumo à criptografia pós quântica.
Em síntese, as organizações precisam mapear fluxos sensíveis, atualizar padrões criptográficos e revisar cadeias de confiança digitais. Quanto antes esse movimento acontecer, menor será o risco acumulado.
2. Investimentos em treinamentos de cibersegurança
A falta de conhecimento e de habilidades foi apontada como a principal barreira para a implementação de IA na defesa cibernética no último ano.
Em 2026, com as ameaças evoluindo, o investimento em capacitação e cultura de segurança se tornará parte estratégica da empresa. Treinamentos contínuos em literacia de IA, privacidade de dados e resposta a incidentes devem integrar a cultura corporativa.
As pessoas são importantes para a construção de confiança cibernética nas empresas. Por esse motivo, as lideranças devem garantir uma comunicação clara e transparente sobre o que a empresa busca e qual o papel de cada um nesse processo.
Dessa forma, a rápida evolução da IA e das tecnologias emergentes exige que as empresas atualizem constantemente seus programas de treinamento em segurança cibernética.
3. Ataque e defesa cibernética por agentes de IA
Com a expectativa de que as empresas implementem uma onda massiva de agentes de IA em 2026, a narrativa sobre a lacuna de segurança cibernética mudará fundamentalmente.
Para um SOC, isso significa priorizar alertas para acabar com a sobrecarga de alertas e bloquear ameaças de forma autônoma em segundos.
Enquanto para TI e finanças, significa resolver chamados de serviço complexos ou processar fluxos de trabalho financeiros de ponta a ponta na velocidade da máquina.
Esses agentes reduzem drasticamente os tempos de resposta e processamento, permitindo que as equipes humanas passem de operadores manuais a comandantes da nova força de trabalho de IA.
Por outro lado, a mudança para a implantação de agentes autônomos é tanto um imperativo estratégico quanto um risco inerente. Embora um agente autônomo seja um funcionário digital incansável, ele também representa uma poderosa ameaça interna.
A inteligência artificial ofensiva já não age somente como ferramenta: ela opera como se fosse um agente autônomo, capaz de identificar brechas, ajustar estratégias e lançar campanhas de ataque em segundos.
Eventualmente, esses sistemas combinam engenharia social avançada, varredura de vulnerabilidades e evasão contra defesas tradicionais.
Segundo a pesquisa Global Digital Trust Insights, de 2026, da PwC, a Inteligência Artificial Agêntica está entre as principais funcionalidades de segurança de IA priorizadas.
Por fim, os especialistas alertam que proteger dados já não é suficiente. É preciso proteger a lógica, o contexto e o raciocínio das IAs que operam dentro das empresas.
4. Evolução dos ataques de ransomware impulsionados por agentes de IA
Sobretudo, o ransomware continuará sendo uma das ameaças mais lucrativas e perigosas, mas evoluirá para ataques mais sofisticados e direcionados a setores específicos.
Em 2026, os agentes de IA serão capazes de disparar 10.000 e-mails de phishing personalizados por segundo, criar exploits de dia zero instantaneamente e implantar ransomware em milhares de endpoints em menos de um minuto.
Esses agentes autônomos de IA permitem que os atacantes se infiltrem em alvos por meio de chamadas de deepfakes, roubando dados e exigindo pagamentos elevados como resgate.
Além disso, esse tipo de ataque combinará criptografia de dados com roubo de informações e múltiplas tentativas de extorsão, aumentando a pressão sobre as vítimas.
5. Aumento das exigências de regulamentação e conformidade
A pressão regulatória está aumentando, e os países estão reforçando leis de proteção de dados, governança de IA e requisitos de transparência.
Nesse sentido, as empresas precisarão cada vez mais demonstrar controle, rastreabilidade e registro de cada acesso, solicitação e fluxo de dados.
Isso implica não apenas na adoção de tecnologias avançadas de monitoramento e auditoria, mas também na implementação de políticas, processos e treinamentos que garantam conformidade contínua.
Dessa forma, cumprir essas exigências não será apenas uma obrigação legal, mas um diferencial estratégico para construir confiança com clientes, parceiros e reguladores.
6. Deepfakes e ataques cibernéticos sintéticos
Vídeo e voz não serão mais considerados provas confiáveis de identidade. Em 2026, a tecnologia deepfake será suficientemente boa — e acessível — para personificar de forma convincente executivos, administradores de TI e até mesmo fornecedores de confiança.
Conforme uma demonstração impressionante desse risco, uma jornalista de tecnologia recentemente clonou a própria voz usando uma ferramenta de IA acessível e enganou com sucesso o sistema telefônico do seu banco.
O resultado desses ataques terá impactos significativos nas operações de segurança, no suporte ao cliente e nos processos de negócios, incluindo transferências bancárias, redefinições de senha e aprovações de acesso privilegiado.
Nesse sentindo, as organizações precisarão redesenhar os fluxos de trabalho com base na confiança criptográfica, verificação contínua e sinais de risco contextuais, em vez de reconhecimento humano ou aprovações estáticas.
7. Guerras cibernéticas no cenário global
Inegavelmente, a pressão regulatória está aumentando, e os países estão reforçando leis de proteção de dados, governança de IA e requisitos de transparência.
As guerras cibernéticas já não são uma projeção futurista, mas uma realidade estratégica que redefine o equilíbrio de poder global. Estados e nações vêm utilizando ataques cibernéticos como armas para paralisar infraestruturas, manipular informações e comprometer cadeias de suprimentos.
No presente, os exemplos se multiplicam. Em 2022, o ataque ao oleoduto Colonial Pipeline, nos Estados Unidos, paralisou o fornecimento de combustível em grande parte da costa leste, evidenciando a fragilidade de infraestruturas críticas.
Já em 2023, a guerra entre Rússia e Ucrânia desencadeou operações cibernéticas em larga escala, com tentativas de derrubar sistemas de energia e redes de telecomunicações.
Considerando os desdobramentos, o futuro aponta para conflitos cibernéticos cada vez mais sofisticados.
Todavia, o avanço da inteligência artificial e da computação quântica tende a elevar a velocidade e a complexidade dos ataques, tornando defesas convencionais insuficientes.
Como se preparar para as ameaças de 2026?
Diante desse cenário, é preciso adotar uma abordagem proativa baseada em:
- Proteção de identidades e acesso;
- Monitoramento contínuo e análise comportamental;
- Redução de privilégios desnecessários;
- Conscientização e treinamento do usuário.
A cibersegurança não pode mais ser reativa. Ela precisa se antecipar às ameaças emergentes, pois isso será fundamental para manter a resiliência dos negócios. Outro ponto importante é que a tecnologia, por si só, não será suficiente.
Até 2026, a estratégia de cibersegurança deve estar alinhada aos objetivos de negócio, priorizando riscos e se adaptando constantemente ao contexto.
Dessa forma, organizações que entendem a cibersegurança como um processo contínuo estarão mais bem preparadas para enfrentar um ambiente cada vez mais hostil.
As previsões de cibersegurança para 2026 pintam um quadro desafiador, marcado por ameaças mais inteligentes, automatizadas e persistentes.
Ou seja, a combinação de inteligência artificial, roubo de identidade e uma superfície de ataque em expansão redefinirá as regras do jogo.
Portanto, a chave é se preparar hoje para reduzir o impacto amanhã. Em 2026, a diferença entre resistir a um ataque ou sofrer uma grave violação dependerá da capacidade de se antecipar e se adaptar a ele.
Conclusão
Salvo as previsões de cibersegurança para o ano de 2026, comece agora a se preparar para o que o futuro reserva.
Sua jornada de segurança e proteção de dados está nas mãos certas com os especialistas da 3STRUCTURE. Entre hoje em contato!








